• Reditec 2021

Reitoras comentam expansão da representatividade feminina na Rede

A gestão eleita para 2022 à frente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) possui quatro reitoras e já são 15 mulheres à frente de Institutos Federais em todo o Brasil.


Aproveitando a 45ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições de Educação Profissional e Tecnológica (REDITEC) em que muitas reitoras e ex-reitoras estiveram presentes atuando ou como homenageadas, elas expressaram sobre a expansão da representatividade do feminino nas instâncias de poder.





Inspiração


“Aqui representamos milhares de mulheres. Acredito que somos inspiração pelos feitos de lutar pela equidade de gênero e pelo empoderamento feminino. Que as mulheres possam ocupar mais espaços na gestão e contribuir para o crescimento de mais mulheres na Rede Federal” — Maria Clara Schneider, ex-reitora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).


“Nossas instituições nasceram e se deram em um universo em que os homens fundamentalmente ocupavam este espaço de poder. A partir que nós, mulheres, começamos a exercer este direito, enfrentamos preconceitos, mas com a parceria de outras mulheres fomos vencendo. Em 2012, quando assumi a reitoria, eu era a quinta mulher reitora da Rede e hoje sinto a alegria de ver 14, um grupo de mulheres fortes e aguerridas que vêm superando a cada dia os desafios” — Carla Jardim, ex-reitora do Instituto Federal Farroupilha.



Iniciativas


O Programa Mulheres Mil, que oferecia cursos de formação inicial e continuada para mulheres em situação de vulnerabilidade em todo Brasil, marcou a expansão da atenção ao feminino na Rede Federal e inspirou outras iniciativas. O Mulheres Mil começou em 2005 numa parceria com o Canadá com as bases metodológicas de Paulo Freire. A vivência bem sucedida em Sergipe e outros Estados do Nordeste foi sistematizada e tornou-se um programa para toda a Rede Federal de Educação Profissional.


“O Programa Mulheres Mil foi um marco do empoderamento feminino. Se nós, como reitoras com toda trajetória que temos dentro da profissão da gente e da nossa escolarização, enfrentamos desafios, imaginemos mulheres de baixa escolaridade expostas a uma situação socioeconômica que as coloca à margem da sociedade. Entramos nos presídios femininos, por exemplo, para ofertar a sensação de pertencimento e abertura para o mundo do trabalho. Várias que chegaram ao programa analfabetas depois ingressaram em cursos superiores e se tornaram empreendedoras” — Marialva de Almeida, reitora do Instituto Federal do Amapá.


“O Programa Mulheres Mil foi inovador e incentivou outros projetos. No IFB, por exemplo, capacitamos mais de 400 mulheres na construção civil em uma iniciativa própria, além de outros. Depois, em 2018, lançamos o Meninas na Ciência unindo ciências, tecnologia, artes e matemática, estimulando que meninas de toda a Rede Federal pesquisassem e desenvolvessem protótipos educacionais para as Ciências e Matemática. E recentemente, após um projeto-piloto no IFB, uma parceria que aplicamos em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos, agora está ofertada para toda a Rede Federal, o Power4Girls – Empower to Lead. Todos estes frutos começaram com o Mulheres Mil” — Luciana Massukado, reitora do Instituto Federal de Brasília.


Identidade


“Sou uma mulher negra de pele parda. Sou a primeira reitora na minha região e o fato de me identificar assim é importante tanto para a minha identidade quanto para todas as meninas, alunas e colegas de trabalho que veem que este lugar na gestão é um lugar para todos, para todas, de todas as cores, de todas as etnias. A Rede Federal foi criada para a diversidade e a inclusão” — Joaquina Nobre, reitora do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais.



Representação


“No Estado do Acre chegamos a ter, ao mesmo tempo, prefeita, governadora e reitoras à frente das instituições de Ensino Superior. Isso demonstra que é possível termos representação expressiva. Na Rede, todas nós, reitoras, somos protagonistas inspiradoras para que outras mulheres nos vejam como espelho. Qualquer lugar é nosso espaço” — Rosana Cavalvente dos Santos, reitora do Instituto Federal do Acre.


“A maioria das mulheres ainda não consegue frequentar um curso de ensino médio, um curso superior, uma especialização, um mestrado e um doutorado. Então o nosso trabalho de gestão precisa olhar para o aspecto social e fazer com que trabalhemos conceitos como sororidade, eles por elas, elas por eles e para que a gente construa juntos uma sociedade mais justa e com mais equidade, inclusive de gênero” — Nídia Heringer, reitora do Instituto Federal Farroupilha.


“Fazemos menção a inúmeras mulheres que sofreram para que pudéssemos chegar até aqui — mulheres que não podiam votar, se pronunciar, falar nem ao lado do esposo. Hoje temos a liberdade de expressão, mas ainda estamos longe de alcançar o que desejamos. É nosso dever continuar esta luta para que muitas mais mulheres tenham seu espaço garantido” — Ruth Sales Gama de Andrade, reitora do Instituto Federal de Sergipe.

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