• Reditec 2021

Mesa discute os desafios do estudante no contexto pós-pandemia




A pandemia da Covid-19 criou um cenário desolador de aumento da pobreza, do desemprego e da evasão escolar no país. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de outubro de 2020, cerca de 1,3 milhão de estudantes abandonaram a escola nos primeiros meses de pandemia. Diante desse cenário, a 45ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições de Educação Profissional e Tecnológica (REDITEC) levou o público, na manhã desta quarta-feira, 1º de dezembro, a pensar a educação no contexto pós-pandêmico através de um ensino de transição que recupere a aprendizagem e que resgate, acolha e cuide do estudante.


O reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, José Arnóbio, mediou o debate em torno do tema “Educação transforma vidas”, que contou com a participação do secretário de Educação do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Getúlio Marques Ferreira, da reitora do Instituto Federal Catarinense, Sônia Fernandes, e do diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Política Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, José Henrique Paim.



O papel da Rede na interlocução com a sociedade


Para iniciar a discussão, o mediador José Arnóbio evocou a reflexão provocada pelo filósofo e escritor Leonardo Boff, na palestra de abertura da REDITEC, que questionou o papel de cada um de nós no cenário de exclusão, aumento da pobreza mundial e devastação da mãe Terra. O mediador convidou os palestrantes a pensarem, nesse contexto, o papel dos Institutos Federais na interlocução com a sociedade. Para Paim, os IFs despertam nos jovens o espírito de curiosidade e criatividade, além de valores como tolerância, convivência e respeito aos direitos humanos, o que é importante para a capacidade de inovação e de desenvolvimento do país. “O trabalho dos Institutos Federais é preparar tanto para a cidadania quanto para o mundo do trabalho”, afirma.


Para a reitora do Instituto Federal Catarinense, Sônia Fernandes, não se pode abrir mão da grande bandeira e diferencial da Rede Federal Tecnológica, que é pensar uma educação integral e integrada. “Leonardo [Boff] nos provocava a pensar numa necessária aliança global: cuidar de si, cuidar do outro, e cuidarmos uns dos outros”, cita a reitora. Ela afirma que na compreensão dessa interdependência cabe pensar um currículo à luz do conceito de ecossistema. No chat, a espectadora Maria Neusa comentou a provocação da reitora: “Como pensar um currículo à luz da concepção de um ecossistema? Questionamento importante para reflexão-ação-reflexão”.



Como acolher o estudante no cenário pós-pandêmico?


A discussão passou ainda pela necessidade de salvaguardar políticas, como o projeto de expansão dos Institutos Federais, que, segundo os palestrantes, foi um marco histórico para a educação profissional no Brasil, promovendo equidade e justiça social, ao interiorizar e capilarizar os Institutos. Para encerrar o debate, os integrantes da mesa pensaram em como acolher os estudantes e minimizar os impactos de aprendizado, emocionais e sociais causados pela pandemia. Sônia explica que o grande desafio na recuperação da aprendizagem é o compromisso de não deixar ninguém para trás e que a educação tem um papel fundamental nesse compromisso, mas não sozinha. Para ela, é preciso fortalecer os entes federados, na perspectiva de que os Institutos não são ilhas. Além disso, é preciso olhar internamente para as unidades com o acolhimento que passa por ouvir e diagnosticar, identificar e reorganizar o currículo.


Getúlio Marques pontuou a dificuldade do aprender sem que os estudantes tenham as condições básicas de alimentação, saúde e moradia, o que piora no contexto pós-pandemia. “Reaprender sem condições básicas cada vez nos traz mais dificuldade. Mas nós, como professores, temos que dar nossa contribuição e compreender esse aluno nesse acolhimento novo, nesse desenho novo... Não é fácil, a gente vai ter um desafio dobrado nesse momento”, conclui. O secretário, no entanto, aposta nas chances de reaprender e, ao mesmo tempo, recuperar o desenvolvimento econômico, a partir da contribuição da Rede Federal para isso, pelo caminho que ela tem trilhado e seguirá trilhando — caminho este que o inspira em suas políticas estaduais de educação.

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