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Soluções do novo mundo do trabalho passam pela educação


O mundo do trabalho já enfrentava diversos desafios com as economias dos países cada vez mais interdependentes e, nos dois últimos anos, com a pandemia planetária causada pela transmissão do vírus Sars-Cov-2, a crise se aprofundou e gerou ameaças à saúde pública, impactos econômicos e sociais que afetaram em diversos níveis o bem-estar e os meios de subsistência de milhões de pessoas no mundo. Para atuar neste cenário, mais do que antes, é preciso “reaprender, reconectar e reintegrar” pessoas para obter uma educação profissional e tecnológica capaz de apresentar respostas eficientes e humanas. E as novas soluções passam necessariamente pela educação e confluência de esforços entre instituições de ensino técnico e profissional.


Na tarde desta quarta-feira, 1º de dezembro, no Instituto Federal de Brasília (IFB), a 45ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições de Educação Profissional e Tecnológica (REDITEC) debateu os desafios do novo mundo do trabalho. Com mediação do reitor do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), Jadir Pella, participaram do diálogo o diretor nacional da educação técnica e profissional de nível superior do Instituto Nacional de Educação Tecnológica da Argentina e representante do Mercosul Educacional, Gustavo Peltzer; o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos Superiores de Portugal, Pedro Dominguinhos; e a reitora do Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Leopoldina Veras Camelo.


Gustavo Peltzer explanou sobre os desafios e perspectivas para a aproximação do mundo do trabalho com o setor produtivo. Destacou que a educação tecnológica e profissional é importantíssima para prover não somente recursos humanos para as empresas como também para a recuperação econômica de países, regiões e blocos econômicos. Ressaltou que é preciso ter atenção com a formação de nível superior, médio e profissional de modo a ofertar uma educação integral, melhor e com currículos flexíveis. Chamou atenção para a necessidade de ter espaço institucional adequado de forma a atender a essa aproximação entre a formação e o trabalho.



Um dos maiores desafios apontados por Peltzer na formação dos técnicos é proporcionar acesso, ainda na trajetória formativa, ao setor produtivo unindo o mundo do trabalho com o mundo das empresas. “As instituições educacionais têm que estar preparadas para proporcionar esta vinculação com o setor produtivo. Os aspectos institucionais e de formação auxiliam no processo de desenvolvimento de competências”, destacou.


A pedido de Jadir Pella, Peltzer comentou que no Mercosul a oferta de estágio é facilitada onde há participação conjunta entre estado, as organizações representantes dos trabalhadores, como, por exemplo, os sindicatos e grêmios, e representações empresariais, como as câmaras. Para ele, esses espaços devem ser institucionalizados e com normativas formalizadas como já existe na Argentina. “Isso permite discutir para chegar a acordos e consenso necessário para que mais estudantes possam acessar o mundo do trabalho e produção”.


Por sua vez, Pedro Dominguinhos pontuou os desafios gerados neste contexto pós-pandemia: a necessidade do desenvolvimento de uma economia mais verde, circular e com práticas renováveis; o processo de digitalização da realidade, pois a pandemia obrigou as instituições a mudar a forma de ensinar e transitar para a forma remota de vivenciar as experiências. “Nos processos de transição mais exigentes, quem tem menos formação, quem tem menos qualificação encontrará mais dificuldades. Existe um prêmio salarial para quem tem formação superior quando comparado a quem tem formação média ou inferior. Ter curso superior é sinônimo de salário elevado e capacidade de transitar mais rapidamente de um emprego para outro”, ressaltou.


Dominguinhos chamou a atenção de todos para a necessidade de mais flexibilidade curricular para melhor atender aos novos desafios do conhecimento. As estruturas curriculares devem incorporar os estágios de modo a responder aos desafios reais das empresas e requalificar as pessoas, num processo contínuo. Abordou também a internacionalização enquanto eixo estratégico do Instituto Politécnico de Portugal para levar formação e desenvolvimento de pesquisas a partir do pensamento europeu para os demais continentes.


A reitora Leopoldina Veras chamou a atenção para os dados da Rede Federal de ensino que revelam que 70% dos jovens ao concluírem curso técnico já conseguem adentrar o mundo do trabalho. E, também, recebem salário, em média, 30% maior quando comparado com outros diplomados. Neste contexto de discussão da formação profissional para o novo mundo do trabalho, a preocupação é com o momento de grande transformação imposta ao mundo. As instituições que investirem em tecnologia, inovação, na formação profissional completa e estiverem preocupadas com a formação do cidadão no contexto de conhecimento e propriedade daquilo em que ele vai atuar estarão mais preparadas.


“Estamos buscando atualizar todas estas demandas geradas pelo novo contexto, principalmente às que dizem respeito à inovação tecnológica. As barreiras de distância não existem mais e a competição do mundo do trabalho não se caracteriza como sendo local, regional ou nacional. A competição passa a ser global. Isto exige que nós, enquanto rede, o dever de rever nossos currículos, atualizá-los para permitir que todos os jovens possam estar experienciando este novo modelo que irá exigir conhecimento tecnológico aprofundado, conhecimento das demandas do mundo do trabalho, formando profissionais cidadãos para ter vida digna e seguir com a qualidade que se requer”, finaliza.


Confira fotos da 45ª REDITEC desta quarta-feira, no perfil do IFB no Flickr.

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